RADIOTERAPIA

Profissionais de nove estados iniciam especialização com ênfase em aceleradores lineares no Paraná

Ascom CONTER
23/03/2018
RADIOTERAPIA


O sistema público de saúde está se preparando para oferecer maior cobertura no tratamento contra o câncer e uma das etapas mais importantes deste projeto segue a pleno vapor. Agora em março, teve início mais uma turma de especialização em Radioterapia para Técnicos e Tecnólogos em Radiologia, com ênfase em aceleradores lineares.

O curso vai ser realizado nas dependências do Centro Formador de Recursos Humanos da Escola de Saúde Pública do Paraná, em Curitiba. Ao todo, 34 profissionais de 13 hospitais que ficam em nove estados diferentes participam da formação, que tem carga horária de 900 horas e seis meses de aulas presenciais, à distância, avaliações, estágio e trabalho de conclusão. Os alunos vão receber as passagens de ida e volta para casa, além de uma bolsa de estudos.

Dentre os alunos, está Maria Aparecida da Silva, do Hospital Erasto Gaertner. Técnica em Radiologia, ela será uma das responsáveis pelo Acelerador que a instituição vai receber. “Agora vou voltar à sala de aula para me especializar em uma área que eu sempre gostei e pretendo continuar trabalhando, do cuidado com pacientes com câncer”, afirmou.



O presidente do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (CONTER), Manoel Benedito Viana Santos, participou da aula inaugural da turma e destacou a importância dos profissionais das técnicas radiológicas no tratamento oncológico. “Infelizmente, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, em 2018, vão surgir 324 mil novos casos da doença no Brasil. Serão 324 mil pessoas que vão precisar da ajuda de profissionais como vocês, para enfrentar o câncer e para continuar a viver”, destacou.

Segundo o Plano Nacional de Expansão da Radioterapia, serão instalados 80 novos aceleradores lineares em todo o país. O estado do Paraná vai receber sete equipamentos, que serão instalados no Hospital Angelina Caron, na Santa Casa de Campo Mourão, no Hospital Erasto Gaertner, no Instituto de Câncer de Londrina, no Hospital Regional João de Freitas, no Hospital Evangélico de Curitiba e no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo. “O cronograma do programa está um pouco atrasado, mas, mesmo assim, segue firme. O Japão levou o dobro do tempo para fazer a metade do que estamos construindo aqui”, afirma Manoel Benedito.

“São equipamentos de última geração, mas não basta tê-los. É necessário pensar em quem vai operá-los. E, por força da lei, esses profissionais devem passar por uma especialização técnica que vai prepará-los para manusear tudo adequadamente e com segurança”, disse Aldiney Doreto, que representou a diretoria da Escola.

De acordo com o coordenador do curso, Alexandre Moreno, o objetivo no Paraná é capacitar 160 pessoas do país inteiro até fevereiro de 2019. “A Radioterapia é uma área muito sensível, muito perigosa e necessita de muito conhecimento, pois não tem margem de erro. Surge assim a necessidade de uma especialização de muita qualidade, como a que estamos promovendo”, diz.

Assim como a Escola de Saúde Pública do Paraná, instituições como o Hospital de Barretos, em São Paulo e a Fundação do Câncer, no Rio de Janeiro, promovem esse tipo de formação gratuita para os profissionais das técnicas radiológicas. Até 2019, serão mais de 600 profissionais especializados em todo o país, para atender os pacientes com câncer.

Além da parte técnica, a matéria de humanização também está na grade. “Esses profissionais vão lidar com pacientes com câncer que recebem recomendação de tratamento radioterápico e toda a questão do cuidado e do carinho com esse paciente também será abordado”, acrescenta Moreno.