PALAVRA DO PRESIDENTE

Hoje é o dia da profissão que escolhemos exercer todos os dias de nossas vidas

Manoel Benedito Viana Santos
08/11/2017
PALAVRA DO PRESIDENTE
 
A ternura do dia de hoje nos permite - ainda que por um instante - esquecer todas as dificuldades que enfrentamos para ter orgulho de ser quem somos, de fazer parte de uma categoria que se supera a cada dia para servir às pessoas. Parabéns, Classe. Em um mundo de aparências, tem valor quem enxerga a essência do ser humano. 

Assista ao pronunciamento oficial do Presidente do CONTER no Dia da Radiologia
 
Esse momento de simbiose cria terreno fértil para as discussões necessárias. No dia de hoje, vamos nos comemorar, mas, também, pensar no que queremos para nós e para o futuro da profissão. Vivemos um momento de profundas transformações e precisamos nos tornar os próprios agentes da mudança que queremos ver no mundo. 
 
Nos idos de 1899, quando os primeiros equipamentos radiológicos começaram a ser desenvolvidos em larga escala, brasileiros e brasileiras já estudavam as novas técnicas radiológicas na Europa e em outros lugares do mundo, para trazer o conhecimento ao Brasil. 
 
Quando chegaram aqui, os primeiros estudiosos trouxeram máquinas de raios X e ensinaram os jovens, nas capitais, a operar os equipamentos. Mais tarde, esses jovens aprendizes foram para o interior do país ensinar Radiologia aos médicos mais velhos que, por sua vez, repassaram o conhecimento para filhos, sobrinhos e netos. Dessa forma, as técnicas radiológicas se difundiram em todo o país.
 
Somos herdeiros desses pioneiros que deram a vida pela profissão e pelo desenvolvimento da Radiologia. Todas essas forças convergiram para a criação da categoria que somos hoje e que, com certeza, projeta-se no futuro como detentora de um conhecimento que não se encontra em qualquer esquina.
 
Como a radiação ionizante não é perceptível à visão e não havia informações suficientes sobre a nocividade desse tipo de onda eletromagnética no início de sua exploração científica, muitos pioneiros desenvolveram problemas de saúde e até morreram em decorrência do excesso de exposição radioativa. Diante do quadro, por volta de 1950, o governo começa a se preocupar com a adoção de medidas para proteger a saúde do trabalhador.  
 
A primeira medida governamental foi a promulgação da Lei n.º 1.234/50, que definiu a insalubridade da atividade em grau máximo e criou a jornada diferenciada de trabalho. Posteriormente, foi sancionada a Lei n.º 7.394/85 e o Decreto n.º 92.790/86, legislação que manteve esse quadro e que criou o Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (CONTER) e os 6 primeiros Conselhos Regionais de Técnicos em Radiologia (CRTRs), para normatizar a atividade, fazer o registro profissional e fiscalizar o exercício da profissão. Hoje, existem 19 CRTRs em todo o país.  
 
Pois bem, a radiação ionizante descoberta em 1895 é a mesma radiação ionizante que existe hoje nos hospitais, nos estabelecimentos de segurança ou nas instalações industriais. A capacidade de ionizar células é a mesma. Portanto, não há motivos para mudar o entendimento da matéria ou descuidar da proteção radiológica. Isso é consenso entre a comunidade científica e acadêmica.
 
Além de cumprir as leis e as resoluções que normatizam a profissão, os profissionais das técnicas radiológicas devem usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e regular o equipamento para ser eficiente com a menor dose de radiação possível. Esse exercício é diário e não pode cair no esquecimento.  
 
Evidentemente, é importante destacar que, quanto maior a resolução da imagem radiográfica, maior a quantidade de radiação empregada. Portanto, convém ressaltar que é uma falácia a afirmação de que os equipamentos mais modernos trouxeram mais segurança para profissionais e pacientes. O que garante a segurança é o exercício legal da profissão e o cumprimento da legislação do setor. 
 
O mercado de trabalho passa por profundas transformações sociais e precisamos permanecer atentos para defender o interesse público, a saúde da população e os direitos sociais da categoria. Não obstante, o CONTER tem buscando criar uma agenda positiva de ações justamente para unir a categoria contra as injustiças, a falta de ética e a carência de profissionalismo. Independentemente das nossas posições pessoais, estamos juntos nesses aspectos da discussão.  
 
Os três diretores executivos do CONTER – Abel, Adriano e eu - não abandonamos a profissão, continuamos a exercê-la em hospitais públicos nas cidades onde moramos. Administramos o conselho de segunda a sexta-feira e atendemos pacientes em plantões nos fins de semana. Dessa forma, sentimos em nossa pele o que a categoria passa diariamente e temos condições de decidir com propriedade o que devemos fazer, enquanto gestores, para melhorar as condições de trabalho da categoria e para melhorar o atendimento dos pacientes. 
 
Como prometi no meu primeiro editorial - que escrevi tão logo iniciei o meu mandato - estou realizando uma gestão comprometida com a transparência, com a gestão de resultados e com a eficiência da fiscalização do exercício profissional. Em cinco meses de gestão, mantivemos o bom funcionamento da máquina administrativa e começamos a implementar projetos transformadores, que vão melhorar significativamente a vida da categoria. Diariamente, realizamos publicações para mostrar esses resultados. Mas, em janeiro de 2018, vamos apresentar um relatório completo de tudo o que fizemos em 2017. 
 
Entretanto, tem coisas que não podem esperar. Portanto, hoje, às 14 horas, vamos anunciar uma grande novidade para vocês. Vamos apresentar um projeto que vai dar dignidade à nossa identidade profissional. Esperamos que o presente esteja à altura de uma categoria que se prepara diariamente para o futuro, com perseverança e dedicação. 
 
Feliz Dia da Radiologia. Parabéns, Classe. 
 
Eu tenho orgulho de ser um de vocês.
 
Com carinho e respeito,
 
MANOEL BENEDITO VIANA SANTOS
Presidente do Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia