CONSCIÊNCIA NEGRA

Conheça Lloyd Quarterman, o afro-americano que foi peça-chave para o início da era atômica

Larissa Lins/Ascom CONTER
29/11/2019
CONSCIÊNCIA NEGRA

Novembro é celebrado como o mês da consciência negra. A data é propícia para enaltecer o trabalho e a obra de grandes nomes que, principalmente, por questões ligadas ao preconceito racial, não tiveram o devido reconhecimento. Assim, não poderíamos deixar de homenagear Lloyd Albert Quarterman, o químico e cientista afro-americano que foi essencial na invenção do primeiro reator nuclear do mundo.

Quarterman nasceu em maio de 1918, na Filadélfia e seus pais sempre o incentivaram ao conhecimento científico. Desde pequeno, era presenteado com diversos conjuntos de química, com os quais desenvolvia pequenos experimentos. Na Universidade Saint Augustine’s, uma instituição historicamente negra na Carolina do Norte, onde ele se graduou, ganhou destaque por seu ótimo desempenho acadêmico e atlético, mas não chamava atenção apenas dento da universidade.

Assim que se formou, em 1943, logo foi recrutado pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos para trabalhar no Projeto Manhattan, um programa de pesquisa e desenvolvimento que produziu as primeiras bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial. No início ele era apenas um químico júnior no projeto, mas teve a oportunidade de trabalhar em estreita colaboração com Enrico Fermi, na Universidade de Chicago, e com Albert Einstein, na Universidade de Columbia.

Quarterman trabalhou em dois dos principais laboratórios envolvidos em pesquisa nuclear, o da Universidade de Columbia, em Nova York e o Laboratório Nacional de Argone, em Chicago. Ele foi um dos principais membros da equipe de cientistas que isolou o isótopo de urânio, necessário para o processo de fissão e essencial para a criação da bomba atômica. Suas pesquisas ganharam destaque na época e quando o projeto de Manhattan foi oficialmente fechado, Quarterman recebeu um certificado de reconhecimento pelo "trabalho essencial para a produção da bomba atômica, contribuindo assim para a conclusão bem-sucedida da Segunda Guerra Mundial".

Após a guerra, as instalações do Laboratório Nacional de Argonne continuaram sendo palco para grandes desenvolvimentos científicos. Lá, Quarterman atuou junto a Fermi e o laboratório se tornou o centro do projeto para desenvolvimento de reatores nucleares. Ele então trabalhou como membro de uma equipe de cientistas e suas pesquisas contribuíram significativamente para o primeiro uso em larga escala de energia nuclear controlada. Em Argonne, foi desenvolvido reator do Nautilus, o primeiro submarino movido a energia nuclear.

Não satisfeito com suas conquistas profissionais, ele aprimorou seu conhecimento em química e física e trabalhou com uma equipe que liderou um inovador estudo sobre química dos fluoretos. Junto ao seu time de pesquisadores, ele criou novos compostos ou, como ele costumava dizer, "inventou moléculas" a partir da reação de átomos de flúor com gases nobres, xenônio, argônio e criptônio.

Também esteve envolvido na espectroscopia, o estudo da interação entre a radiação eletromagnética e a matéria, que tem como objeto de pesquisa interações ou alterações nos níveis de energia de moléculas ou átomos. O cientísta criou uma janela de diamante resistente à corrosão para estudar a complexa estrutura molecular do fluoreto de hidrogênio, o solvente mais poderoso do mundo.

Além de todas essas descobertas e contribuições, iniciou um estudo para criar um tipo de sangue sintético, mas diante de várias questões sócio-políticas relacionadas a sua cor, seu projeto nunca decolou.

Durante sua vida, ele foi membro de diversos grupos e sociedades científicas. As principais delas foram a Sociedade Americana de Química, Sociedade de Espectroscopia Aplicada, Associação Americana para o Avanço da Ciência, Sociedade de Pesquisa Científica da América e da Associação Nacional para o Avanço de Pessoas de Cor (NAACP).